quinta-feira, setembro 08, 2005

#UMA NOITE INSÓLITA #

Naquele dia tinha decidido não voltar a esperar por um convite dele, afinal eles nunca surgem e não…Além disso tinha decidido alargar os meus conhecimentos...Um amigo oportunamente envia-me uma sms...
"Vou pra noite com o pessoal do quartel, contamos ctg!! Ah…somos 22, dps apresento-te a tds. Depois do jantar no sitio do costume,ok? Bjs"
E porque não? Pois está claro que vou…ele não vai aparecer e não!! Respondi...
"É que já lá estou…"
Já tinha recebido a informação que todo o grupo de militares, rondavam os 18/25 anos, mesmo as mulheres…e isso não me deixava muito entusiasmada, mas para beber uns copos e dançar era perfeitamente suportável…
Começam a entrar no bar…à frente vinha o meu amigo…logo a seguir uma enchente que não me tinha chamado a mínima atenção…Mas logo atrás do meu amigo, vinha um rapaz…que pela postura me prendeu atenção…cabelo curtinho, andar matreiro, olhar penetrante, sorriso delicioso…
Comentei pró lado para a minha amiga…
“Bem, este deve ser o que tem 18 anos…está fora de questão!!”
Cumprimento o Joel, que me apresenta logo em seguida o Afonso…Sentam-se na mesa, enquanto o restante grupo se dispersava pelo bar…
O Afonso senta-se em frente à minha amiga, e o Joel à minha e começamos uma conversa banal…O tempo não passava e decidimos ir jogar dardos…
“Homens contra mulheres” – disse entusiasticamente a Laura.
Bem, a um desafio destes não me nego…mas acrescento…
“Civis contra militares – está ganho!!”
Começou o jogo…(e caros amigos e amigas…As mulheres venceram a larga distância!!) Mas outro jogo estava a ser jogado em simultâneo…uma espécie de guerra de olhares…O Afonso era surpreendido muitas vezes a fazer-me mira!!
Bom, já estava na hora de irmos, não havia lugares suficientes nos carros…e eu fui destacada para o carro do Afonso…
Arrancamos e no carro surge a conversa de circunstância, (És de cá? Há quanto tempo estás neste quartel? Que idade tens?)…Tanta pergunta para chegar àquela que realmente me importava…Que idade tens…Ao que ele responde 25 anos…Ufa…que alivio, já não tenho paciência nem para os de 25, quanto mais, ainda mais novos!!!
Por duas vezes os nossos olhos colaram…uma das vezes ia-nos custando caro, estivemos por milímetros do carro da frente…
Chegamos à discoteca, como já seria de esperar a uma terça-feira, estava vazia…mas há vantagens…podemos ser nós a escolher a música! O Afonso foi muito pronto a marcar território ao que eu até lhe achei alguma graça! Começa a música, aquela que me faz fervilhar…levanto-me e sigo para a pista…Quando olho para o lado, uma das militares sorria para mim, pouco mais alta que eu, cabelo rapado, ar masculino, braços que não escondiam os exercícios diários que com toda a certeza pratica a gosto…olha-me e deixa escapar um…
“Parece que só nós as duas é que nos queremos divertir.”
Sorrio e continuo a sentir a musica a possuir-me o corpo…Quando levo a minha mão ao cabelo para poder voltar a fitar a pista, sinto algo muito perto…abro os olhos e era o Afonso…perto, muito perto de mim…ao meu lado e com cara de “poucos amigos” estava a Marta, que me olhava enquanto dançava e levava o copo a boca…pensei de imediato que estaria a fazer reconhecimento de território ao Afonso…mas enganei-me…não era bem a ele que ela se dirigia…
Continuo a dançar…o Afonso à minha frente, com ar atraentemente sério…a Marta ganhava terreno atrás de mim…de repente sinto-a nas minhas costas…segura-me a cintura massajando-a em simultâneo…O Afonso não retirava os olhos dele, dos meus…A Marta encostava-se cada vez mais a mim, e ao fundo o grupo de militares, entretidos a beber e a festejar a pernoita a que tinham tido direito.
A musica estava a subir…e o meu corpo já reagia aos outros dois que me apertavam um contra o outro…Sentia um espécie de competição, cujo o prémio seria eu, (e desenganem-se se pensam que não estava a gostar), já tinha sido abordada outras vezes por mulheres, mas nunca daquela forma, ou talvez o ar dela me fascinasse mais que as outras…Não sei…
O Afonso tentava captar a minha atenção apenas com o olhar, ele evitava tocar-me…ao contrário da Marta, que usava o seu corpo como estratégia…
Estava a ficar um pouco zonza…Num segundo, Marta sai de trás de mim, e vai para trás do Afonso…finta-me com os olhos e tenta seduzir-me enquanto passa os lábios dela pelo pescoço de Afonso, que nem pestaneja com semelhante…
Afonso pega-me pela cintura, vira-me de costas para ele, afasta-me o cabelo e balança-me ao som da musica…que estava cada vez mais vibrante…A cada golpe musical, um toque mais brusco vindo de Afonso…Completamente derrotada, Marta decide vir para a minha frente, em tom de “última cartada”…encosta-se a mim de forma a que Afonso, não pôde evitar de me sentir completamente…começou a alta competição…começava a sentir-me cada vez mais disputada…Aquele tipo de dança estava a deixar-me embriagada entre os avanços de Marta e os recuos de Afonso…de repente Marta dá-se como vencida, num ápice desaparece da pista…as luzes baixam e apenas uma muito ténue iluminava o olhar de Afonso, que já me tinha voltado para ele, e encostara-se a mim de forma imperativa. Numa mudança de ritmo, encosta os lábios dele entre o meu queixo e o meu peito e dobra-me para trás…mantém-se vertical a apreciar a curvatura que o meu corpo fazia, ainda metade encostado a ele…levanta-me calmamente, enquanto sorri…Quando fixamos o nosso olhar, beija-me sofregamente, passando as mãos dele abertas pelas minhas costas…o beijo deve ter tido a duração de um refrão…quando abri os olhos…ele ainda estava abrir os dele com uma tranquilidade inquietante…
“Espera-me, vou ao bar…” – disse-lhe ao ouvido.
Peguei no meu casaco…acendi um cigarro e desapareci no nevoeiro da noite…
Voltei para casa…
Hoje tinha uma sms no telemóvel de um número desconhecido, dizia…
“Quem conduz assim…não deveria beber…liga-me! Beijos. Afonso.”
Não liguei...